Feira do Livro – Já Editores

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Texto de 2005
A Feira que nunca para de crescer

O Maior movimento da cultura literária do país acontece em Porto Alegre, é a Feira do Livro que em seus 51 anos não para nunca de crescer e cultivar o espírito de leitura entre os quase dois milhões de consumidores da arte escrita.
Neste ano, o Centro conviveu com livreiros e leitores por mais tempo do que o usual. No total, foram 19 dias. As atividades paralelas também garantiram inúmeras discussões sobre autores e livros. Foi a edição para homenagear Erico Verissimo, Dom Quixote (Cervantes), Iracema (José de Alencar), Jean Paul Sartre, Júlio Verne e Andersen. Somente de autógrafos, foram mais de 700 sessões até esta segunda (penúltimo dia).
A principal novidade deste ano foi a extensão da Feira até o Cais do Porto. Ela ocupou os armazéns A e B, e faixa existente entre esses espaços e o Guaíba para instalar a Área Infantil e Juvenil que, pela primeira vez, abriu pela manhã, às 10h. A ampliação do horário possibilitou um atendimento mais adequado da demanda de visitação escolar. O restante da Feira do Livro funcionou diariamente no horário tradicional, das 13h às 21h. E o palco teve sua capacidade aumentada de 400 para mil pessoas.

Entre os prédios que se incorporaram à Feira estão o Memorial do Rio Grande do Sul, a Casa de Cultura Mario Quintana, o Santander Cultural e o Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, que já estavam no ano passado, e o Clube do Comércio e a Assembléia Legislativa.

Em 2005, foram 19 dias de livro na praça. Com 149 expositores e uma programação diversificada em torno do livro, a Feira teve opções para todas as idades. Alguns temas foram destaque na programação. Os 400 anos da primeira edição de Dom Quixote, de Cervantes; o centenário do nascimento do escritor e pensador francês Jean-Paul Sartre; o centenário da morte de Júlio Verne; o bicentenário do nascimento do escritor Hans Christian Andersen e o centenário do nascimento do escritor Erico Verissimo foram assuntos para seminários, debates, palestras e oficinas.
A Oficina de criação literária da Pucrs foi escolhido pelo júri oficial como o Fato literário do ano, já a Feira do Livro em Braille foi escolhido o Fato pelo júri popular.
De 28 de outubro a 09 de novembro o levantando de livros vendidos era o total de 320.834 livros Sendo Área Geral – 247.724 livros, Área Infantil e Juvenil – 64.641 livros e Área Internacional – 8.468 livros, os números oficiais saem na tarde dessa quarta feira (dia 16). Neste ano, o país homenageado foi a Itália, que viabilizou a presença de autores e artistas, e promoveu atividades relacionadas às comemorações dos 130 anos da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul. O estado convidado foi o Ceará, o governo do estado nordestino trouxe uma delegação de autores e artistas. A programação teve como ponto alto, atividades relacionadas aos 140 anos da primeira edição da obra Iracema, de José de Alencar. A edição de 2005 ficará na lembrança como aquela que estendeu os limites da Feira até o Cais.
Entre todos os expositores um em especial chama nossa atenção, é a editora Porto Alegrense, JáEditores, que está em seu 4° ano na feira. A empresa edita também os jornais JÁ Porto Alegre, de reportagens e idéias, e o comunitário JÁ Bom Fim-Moinhos, de distribuição gratuita.
O Jornal Já é mensal e foi vencedor do prêmio Esso em 2004 na categoria reportagem com o escritor Renan Antunes de Oliveira, prêmio que causou muita polêmica em todo o Brasil.
O jornalista, escritor e colaborador em pesquisas da editora Já Cléber Dioni, diz que o jornal tem uma boa circulação na campanha de assinantes, “Temos muitos leitores que recebem todo o mês o jornal em casa através de assinaturas” e acrescenta ele “Ainda há bancas que se negam a vender simplesmente pela pressão de outros jornais que podem dizer, ‘tirem isso daqui, senão não trago meu jornal para tua banca’ e como o dele é um jornal diário, o cara não vai perder dinheiro”
Dione é o Autor do livro com maior vendagem da editora na feira, “O menino que se tornou Brizola”, o livro trata da vida do ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio e Janeiro, com ênfase para os primeiros anos em Porto Alegre, até o exílio no Uruguai e a volta, quinze anos depois, onde Dioni traz depoimentos de colegas, familiares, amigos de infância e correligionários – e muitas histórias e fotos, algumas pouco conhecidas.
“O livro conta fatos, foi bem legal isso na época do lançamento e as obras que ele fez, realizações na prefeitura de Porto Alegre que quase ninguém sabia”diz, e acrescenta “Agente montou também tudo sobre os últimos dez dias antes do golpe, e aqui em POA principalmente, a fuga dele que é uma coisa meio controversa, tem várias versões mas agente traz no livro a real”.
O Autor conta que a pesquisa junto com entrevistas e viagens demoraram 5 meses e que as vendas estão excelentes na feira até por que o lançamento do livro foi ano passado.

De uma pequena distribuição ao reconhecimento nacional.

Jornal Porto-Alegrense de apenas 2mil exemplares mensais vence prêmio Esso.
Mesmo com o pouco conhecimento do grande público, o jornal Já de Porto Alegre foi o vencedor do prêmio Esso 2004 na categoria reportagem com ‘A tragédia de Felipe Klein’, de Renan Antunes de Oliveira. O prêmio entregue no Rio de Janeiro (dia 14/12) foi anunciado sob vaias, já que o vencedor não estava entre os 3 finalistas da categoria. Amparada pelo regulamento, a Comissão de Premiação apontou a reportagem como vencedora, embora estivesse indicada na categoria Regional Sul.Em meio a vaias dos mais de 600 convidados, Renan foi até o palco, aguardou que os colegas indignados se calassem e começou os agradecimentos com a frase “recebo as vaias com humildade”, seguida de um breve relato de sua carreira de 30 anos como repórter (ele já passou por grandes redações como as de IstoÉ, Zero Hora, Veja e O Estado de S. Paulo, na qual trabalhou por sete anos e foi correspondente internacional), logo depois foi aplaudido de pé pelos convidados. Ironia do destino, antes de publicar sua reportagem no jornal Já, Oliveira a ofereceu à revista Época, que respondeu com uma negativa.
No dia seguinte, de volta a Porto Alegre, Oliveira foi surpreendido ao ler nos jornais declarações de diretores de redação dos veículos da grande imprensa, que colocavam em xeque a transparência e dignidade dos critérios de avaliação usados pelo júri do prêmio. “Vou mandar uma carta na segunda-feira com os dizeres renuncio ao Prêmio Esso”. Para ele, estão usando desculpa pois não aceitam perder a premiação para um pequeno jornal mensal gaúcho e diz: ”São essas atitudes que diferenciam homens de ratos”


Ele prometeu devolver o diploma, mas não o dinheiro que ganhou, no valor de R$ 10 mil. ‘Eu mereço’, afirma. Caso contrário, o prêmio, segundo ele, ‘não vale nada’, ”Quando devolvo o diploma, estou dizendo apaguem o meu nome dos registros, porque não quero fazer parte da história do prêmio Esso logo no ano em que sua credibilidade é questionada pelos grandes veículos do Brasil”.

Ruy Portilho, um dos organizadores do Prêmio Esso, lamentou que o jornalista tenha decidido devolver o diploma que recebeu pela reportagem, “Eu espero que até segunda-feira ele tenha tempo para refletir, pensar nas mensagens de solidariedade que tenho lido no Comunique-se, e reconsiderar essa decisão”, disse Portilho. Na segunda (dia 20/12) Renan enviou a redação do “Comunique-se” uma nota em que afirma que não irá mais renunciar ao prêmio ele encerra dizendo, “Se eles quiserem o diploma, que passem lá em casa e peçam pra minha mãe. Ou tentem de novo em 2005”.
Texto de Fernando Cunha ©

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