Oportunismo ou Oportunidade?

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O Capitalismo Esportivo

O esporte profissional se tornou um dos maiores espetáculos da cultura da mídia de massa. A exposição de certos esportes fez com que determinados atletas recebam grande destaque, seja por suas habilidades esportivas ou suas atividades dentro e fora das competições.
Pelo fato de representar um dos mais importantes fenômenos sociais, diversas empresas usam o esporte como uma ferramenta para aumentar sua popularidade. Ainda, transformam um esportista profissional em estrela e passam a imagem de que é o equipamento usado por ele, o responsável pela eficiência do atleta, o que traz grande sucesso em suas vendas. Essa estratégia é usada também por empresas que não possuem relação direta com o esporte, como bancos, títulos de capitalização e construtoras, por exemplo.
O esporte profissional constituía, no passado, um evento que dava às pessoas senso de comunidade e orgulho. Para os participantes, a alegria de um simples jogo para uma platéia de milhares de pessoas era mais do que uma compensação.
A indústria do esporte profissional atualmente representa um negócio repleto de oportunidades. Os próprios clubes fazem com que sua marca esteja nos mais diversos lugares e acessórios que vai muito além de calções e camisetas, chegando a todo o tipo de vestuário, artigos de escritório, cama, mesa, banho, além de outros produtos e serviços. O esporte é parte indissociável da vida contemporânea e objeto de consumo de todas as classes da sociedade brasileira. Os diversos produtos esportivos à disposição do consumidor e o consumo esportivo alcançam uma posição bastante importante na indústria de comércio.
Além disso, um consumidor pode acreditar que, comprando e usando o produto ou serviço, absorverá suas qualidades desejadas como num passe de mágica. Freqüentemente, mais importante que o reconhecimento do nome da marca, é aquilo que ela significa, as associações e a personalidade do espectador/usuário.
O jogo, outrora visto como diversão, cede lugar à realização de negócios. Os clubes, que antes nasciam da interação social e da vontade das comunidades, objetivam agora a formação e a venda de jogadores, sua principal fonte de renda e, efetivamente, o produto com maior taxa de lucro. A competição não mais se limita à quadra, ao campo, a piscina ou aos ringues, ela está presente em reuniões das maiores empresas, através da extensão do produto e da criação de novas fontes de receita.
No momento em que se conquista um campeonato ou uma medalha de ouro, há a divulgação e conseqüente a venda de produtos e técnicas, que parecem ser responsáveis pelo sucesso dos esportistas. O esporte se transformou não só em uma indústria de inegável poder econômico, ligada ao consumo de massa do esporte, como também em um componente forte de capitalismo.
Texto de Fernando Cunha ©

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