Cobertura jornalística sobre a inflação
Pergunta do Momento:

Como o jornalismo econômico nacional tem feito a cobertura da inflação nos últimos tempos – de forma responsável ou sensacionalista?
Em uma análise geral das mídias nacionais, não só da última semana, mas basicamente desde quando começou a estourar a crise americana eu vejo que foi tratada de forma responsável.

A valorizar esse ponto, os grandes jornais definiram o próprio rumo e foram além da cobertura institucional e do mero registro
de citações entre aspas. Para tentar elucidar ainda mais o assunto fui atrás de um jornalista de Economia e falei com Paulo Fontoura, que foi repórter de Economia da Gazeta Mercantil e da Zero Hora, além de ser Coordenador de Produção da última. “A imprensa brasileira que cobre economia fica muito atrelada ao que as autoridades econômicas brasileiras vendem. Como os ministros da Fazenda ou o presidente do Banco Central diziam que tudo tinha sido feito para enfrentar qualquer viés da economia e que o país estava imune, nossos colegas foram levados ao erro ou preferiram não polemizar o assunto, se contentando com as informações oficiais. Agora estamos vendo uma busca para reparar o
erro e um bombardeio de informações que deixam a todos preocupados e tensos”, explica Fontoura.


É difícil a inflação se manter inercial com muitos fatos importantes ocorrendo em sua volta, nós mesmos podemos observar isso na época do Plano Real, que começou com uma inflação intacta, onde o real valia até mais que o Dólar e a estabilidade de preços era visível, e depois rumou aos preços subirem novamente.


Segundo Fontoura, os profissionais de comunicação deverão ter atenção nas futuras pautas. “O bom profissional deve estar atento ao que acontece na sua área de ação, seja na sua região ou no global. A inflação brasileira tende a se agravar nos próximos meses e o governo, preocupado com a próxima eleição deve buscar antídotos para contar este quadro e evitar a contaminação internacional.”

Texto de Fernando Cunha ©