Lúcio Centeno: Realmente o muralismo foi feito em abril de 2011 pelo Levante Popular da Juventude. Nossa organização é constituída por grupos de jovens que atuam tanto no meio estudantil, quanto no meio popular na defesa dos direitos da Juventude. Temos um grupo organizado nesta região da Cruzeiro/ Cristal que está sendo diretamente atingido por esta política de “higienização” deste território. Por isto, fizemos o muralismo. Concordamos com a afirmação do Renato Maia.
Carlos Alberto: Sim. É uma técnica de pintura de origem mexicana, que se espalhou por vários países da América Latina.
Carlos: Conforme o relato do Renato Maia, a área do antigo Jokey está sendo alvo dos grandes barões do concreto (Grandes Empreiteiras) que veem naquela área a possibilidade de erguerem torres milionárias como é o caso da torre de cristal erguida no terreno do Barra Shopping . Ao mesmo tempo, perto deste terreno há uma demanda habitacional por parte de famílias que serão desapropriadas e terão que sair de suas casa para a construção da nova Avenida Tronco/Cruzeiro que será duplicada. As mais de 1500 famílias que serão despejadas não tem nem apontado a área que serão reassentadas. A prefeitura tem se utilizado do Bônus Moradia e do Aluguel Social que nada mais são do que uma forma de despejo velado.
Carlos: O nosso objetivo era exatamente esse de passar para quem lê-se que o nosso bairro não está a venda. Neste caso a prefeitura está “vendendo” o bairro para grandes empreiteiras. O bairro foi construído por quem mora a mais de 30, 50 anos ali e não é justo agora que estamos passando por esse processo de reurbanização que não nos deixem usufruir os benefícios dessa reurbanização.
Carlos: O ato foi pensado e executado numa oficina realizada pelo Levante durante a atividade chamada “A volta do povo à praça” realizada pelo Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo. Uma atividade que tem como proposta ocupar espaços públicos da cidade como por exemplo a Praça José Alexandre Záchia.
Carlos: O Levante Popular da Juventude é um movimento social formado por jovens do campo da cidade e de periferia. Nosso objetivo é organizar os jovens, para que possam lutar e garantir seus direitos e conquistar novos direitos que lhes são negados pelo Estado, na perspectiva da construção de um Projeto Popular para o Brasil.
Fernando: Vocês, no momento, estão reivindicando alguma outra questão ou assunto que diz respeito à cidade?
Carlos: O Levante tem como dever garantir e defender os interesses da Juventude. Estivemos desde 2006 defendendo a ampliação do acesso ao Ensino Superior para os jovens pobres e negros, através da implementação das Cotas. Estivemos protagonizando mais recentemente a ação de escracho aos torturadores da Ditadura. No próximo período estaremos construindo um Projeto Popular para a Educação, para que todo e qualquer jovem tenha direito a uma educação adequada.



