O Exemplo Vem de Cima: Faça o que eu digo e faça o que eu faço!

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Texto escrito para a revista Business Review de Novembro de 2014 (clique aqui para ler a edição digital)

capa 2Foi-se o tempo onde as empresas eram comandadas com pulso impositor, como capatazes de décadas atrás. A opção por uma relação mais próxima entre os altos cargos e os nem tanto assim vem tomando conta das organizações. Essa sensação de todos os funcionários sentirem-se realmente integrantes do crescimento, das realizações empresariais, é algo cada vez mais constante nos dias de hoje.

O retorno dessa proximidade é importante para a organização. É comprovado que um funcionário motivado por sentir que faz parte rende mais. Mas e quando há a consciência da necessidade de mudar, sabe-se o que mudar e mesmo assim as mudanças são lentas e as pessoas não se engajam? A resposta para isso não necessita de uma grande teoria: O reclamante é o culpado. Se você não tem os funcionários ao seu lado, é como se a direção da empresa estivesse sempre no banco dos réus frente ao empregado.

capa 2aEspalhe menos discurso e aposte mais na atitude

A evolução da empresa depende de todas as partes da pirâmide, mas apenas quando a mais baixa está seguindo os exemplos do topo.

Qualquer transformação de postura em uma sociedade só se torna concreta quando se reflete nas atitudes das lideranças. Existem vários bons exemplos, como o do ex-presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, que tinha como praxe cumprimentar qualquer cidadão que por ele passava na rua. Em uma das vezes foi questionado por um assessor, que sem concordar lhe disse: o senhor é o Presidente, ele que deveria saudá-lo primeiro, não o senhor. Lincoln então respondeu: “você acha que ele deveria ser mais educado do que o Presidente?”.

capa 2a2Seja na sociedade, na política ou nas empresas, os grandes escalões só conseguem mudar o comportamento dos funcionários mudando a sua própria forma de agir, sendo realmente um exemplo. Não adianta apenas comunicar seus subordinados de que a partir de determinado momento será de tal forma, se nem você faz parte dela.

Você entendeu?

Essa frase, quando citada de forma impositiva, tem tudo para gerar um resultado longe do esperado.

capa 2a2aTodo funcionário é um ser humano e todo o ser humano tem uma história de vida, costumes, crenças e diversas outras coisas que definem sua forma de interpretar e captar o que você está tentando dizer e pedindo que ele colabore. Até que ponto faz sentido explicar uma mudança na empresa e logo em seguida: “Você entendeu?” Na maioria desses casos a resposta será a mesma, até mesmo por um certo desconforto, o funcionário tende a responder: “Sim, entendi.” No momento que você vira as costas ele procura o colega mais próximo e diz: “Não dá para entender nada que esses caras falam, a empresa ficou maluca!”. Quantos casos assim você já viu? Aposto que foram muitos.

Nesse caso fica clara a função do topo da empresa abraçar para si o projeto de mudança. Cabe a esse topo conquistar a credibilidade dos seus subordinados e aí sim obter a adesão de todos.

A partir de hoje, todos usarão crachás!

capa 2a2aaCerta vez ouvi um bom exemplo, do administrador de empresas Max Gehringer, sobre duas empresas que desejavam implantar o uso de crachás entre seus funcionários.

A primeira empresa tentou várias vezes que seus integrantes usassem crachás, mas os funcionários achavam que aquilo era desnecessário, pois ali na empresa todo mundo se conhecia. Andar com aquela peça de plástico pendurada no peito não iria melhorar nada para ninguém.

capa 2a2aaaA direção da empresa tentou de todas as formas inserir a ideia, até chegar à solução impositiva: Quem não estivesse usando crachá não entraria para trabalhar. Resultado: Todo mundo passou a odiar os crachás, perdê-los de propósito, foi uma confusão.

A outra empresa, por sua vez, conseguiu que seus funcionários usassem crachás sem fazer nenhuma campanha.

Um belo dia, alguns diretores apareceram usando crachás. Todo mundo começou a se perguntar por que só os diretores tinham crachá. Duas semanas depois, os gerentes também receberam crachás e começaram a usar com orgulho, por que os crachás os colocavam no mesmo nível (pelo menos no uso de crachá) que os diretores. Não demorou muito para os funcionários ficarem insatisfeitos com aquela descriminação. Então, a empresa mandou fazer crachás para todos e os funcionários passaram a usar seus crachás com o sentido de igualdade e por vontade própria.

Com certeza a comunicação ajuda a qualquer mudança funcionar, mas como diz o historiador, orador e político romano dos séculos I e II, Tácito, “os chefes são líderes mais através do exemplo, do que através do poder”.

A mudança começa pelo alto escalão

O tempo em que o comandante ordenava o exército a ingressar na batalha e ficava aguardando os resultados em sua sala de comando não existe mais. O momento pede que ele também empunhe a bandeira da empresa e saia a campo para enfrentar os desafios.

Não fique apenas na campanha interna na hora de demonstrar aos funcionários a importância daquele projeto ou atitude. Faça você também parte da mudança!

Fernando Cunha ©

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