Entrevista – Renato Graccia

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Renato Graccia (São Paulo, 20 de Junho de 1973) é músico, compositor e baterista. Ele esteve a frente das baquetas na grande maioria dos discos do Viper, na verdade todos depois da saída do André Matos (Evolution, Vipera Sapiens, Maniacs in Japan, Coma Rage, Tem Pra Todo Mundo e All My Life).
Graccia dá aulas de bateria e entre bandas e projetos tocou no Pathé Sophismático, Blueseeds, Sexta 13, Nytro Inc., Los Ayalas, Triple Trouble, Raíssa Machado e banda, Speed Racer, Renato Graccia e Project Dragons.
Também esteve a frente da bateria no musical “Rock Show”, de Hudson Glauber, com supervisão artística do Wolf Maya.
Entrevista realizada em 2012, antes da turnê comemorativa do Viper.
Fernando Cunha – Bom, primeiramente obrigado pela entrevista Renatão. Admiro bastante seu trabalho e seu carisma com os fãs. Essas perguntas são de um fã. Vamos lá:
Fernando Cunha – Como surgiu essa aproximação com o Viper em 1990, quando você entrou na banda, como foi esse processo?
Renato Graccia – Eu tocava com algumas bandas como o Gypsy e o Pathé Sophismático e era muito fã do Viper. Ia a vários shows, tinha o Soldiers e o Theatre e fazia “buraco” neles de tanto ouvir! Aí, quando o Guilherme saiu, o Paulo Zinner, que na época era do Golpe de Estado, sugeriu o meu nome pros caras. Fui tocar com o Gypsy no Black Jack Bar, e o Pit, o Yves e o Felipe foram assistir para ver como eu tocava. Ao final do show, eles vieram falar comigo. Em 5 minutos estávamos no palco para uma Jam Session, na qual tocamos tipo, umas 8 músicas do Viper. A partir daí, veio o convite e, no dia seguinte estávamos ensaiando e, duas semanas depois já estava fazendo show com eles no nordeste. Foi tudo bem rápido. Mas foi bem legal!

Fernando – Como foi a gravação e todo o processo envolvendo o Evolution, era seu primeiro álbum na banda e particularmente você tocou demais. Mesmo que eu já tenha o adquirido há uns 16 anos. Esse é o grande disco da minha vida, o número 1, aquele que está sempre pronto para tocar.
Graccia – Realmente o Evolution é um grande álbum. Me orgulho muito de ter gravado ele. Bom, foi a minha primeira gravação profissional, primeira viagem ao exterior e primeira experiência em trabalhar com alguém falando inglês….rsrs Era muita novidade. Mas foi bem tranquilo. O Charlie Bauerfiend é muito gente boa e muito profissional. O Union Studios, onde gravei, também é espetacular! A gravação rolou tranqüila…. Trabalhávamos das 9:00h da manhã, até umas 7:00h da noite… Aí saíamos para jantar e tomar umas cervejas… Levei, ao todo, sete dias para concluir a gravação do Evolution e do Vipera Sapiens. E até hoje gosto do resultado.
Fernando – Ao longo do Viper, ouvimos alguns álbuns “diferentes” um do outro, sem rotulação, mas alguns não seguem a mesma linha de som do anterior, por exemplo. Essas mudanças provam que a banda fez o que estava afim no momento, não deixando de lado a tentativa de visibilidade, como vocês mesmos falaram que fizeram no Coma Rage buscando um mercado ainda não alcançado como o norte americano, como foi isso?
Graccia – Sim, o Pit sempre norteou os panoramas gerais de cada álbum. Quando acabava uma tour, ele já aparecia com músicas novas que, de certa forma, já davam pistas do que seria o próximo trabalho. A partir disso, o Felipe e o Yves também traziam músicas e nós trabalhávamos nelas sempre dando uma “cara” coerente com o conceito do álbum. Mas, de maneira geral, sempre fizemos o que estávamos afins. Claro que havia algumas divergências, mas sempre chegávamos a um acordo.
Fernando – Na gravação do Coma Rage, ouvi várias vezes todos vocês dizendo que o clima era outro, tanto com gravadora, como o momento da banda e o objetivo de atingir o mercado norte americano. Como foi todo esse sentimento e por que foi “diferente” dos outros processos de gravação?
Graccia – Essa fase foi como uma libertação. Estávamos, desde o começo, trabalhando com as mesmas pessoas e com o mesmo clima. Os mesmos vícios, por assim dizer. Já no Coma Rage, estávamos em um ambiente diferente, com pessoas diferentes e muito confiantes de que o álbum seria bem recebido. Foi realmente uma das melhores fases que passamos.
Fernando – Como foi trabalhar com o Bill Metoyer, em 94, no Coma Rage?
Graccia – Foi bem bacana. O cara é super simples e muito aberto às idéias da banda. Ele cuidava da sonoridade, timbres, etc… Mas na parte musical e de arranjos, ele deixava a banda super à vontade. É um cara “show”!
Fernando – Uma pergunta que é chata e batida, mas não posso deixar de fazer, por que a banda resolveu encerrar suas atividades em 1998?
Graccia – Com o fechamento da Castle e com o conseqüente fracasso comercial do TPTM, a banda, que já vinha numa fase complicada, acabou desanimando. Cada um tinha idéias completamente diferentes sobre o futuro da banda. Como nada acontecia e ninguém “tomou as rédeas”, a parada foi meio que natural.
Fernando – Depois de 1998, vocês seguiram caminhos diferentes, cada um tocou seus projetos e objetivos próprios, mas mesmo assim vocês mantinham contato, mesmo que como amigos ou houve realmente um hiato grande e depois uma reaproximação na época do “All My Life”?
Graccia – Sempre mantive mais contato com o Felipe, no geral. Porque o Pit trocava de telefone duas vezes por mês e eu nunca tinha o número atual dele Rsrsrsrs. Mas sempre nos encontrávamos em aniversários, festas, etc. Nunca tivemos nenhum tipo de problema pessoal entre os membros.
Fernando – Aproveitando para falar do “All My Life”, após o lançamento e poucos shows, essa nova parada, que culminou com a saída do Ricardo Bocci, foi apenas falta de disponibilidade referente aos projetos particulares de cada um?
Graccia – Sim, basicamente, foi isso. Hoje, todos temos compromissos, trabalho, filhos, enfim, fica difícil manter uma banda como ela deve ser cuidada… Acho que, se você tem uma banda de amigos, tocando por tesão, beleza! Mas, com o nome e com a história do Viper, manter por manter, sem dar a devida atenção, não é legal e nem viável.
Fernando – Já ouvi você falar que quando entrou no Viper, em 1990, e começou todo aquele alvoroço de turnês, gravações, fãs, etc. o apoio da sua namorada na época, hoje esposa, foi fundamental para que pudesse desenvolver seu trabalho em harmonia com a vida pessoal. Qual o grau de importância desse apoio em sua carreira e essa atitude dela não é algo “normal” no mundo da música, não é?
Graccia – A minha esposa teve uma maturidade incrível! Na época, os outros membros da banda, trocavam sempre de namorada, pois elas nunca tinham a paciência e a compreensão que o momento pedia. Creio que o apoio dela foi essencial para eu ter me dado bem na banda e ter crescido como músico e como pessoa.
Fernando – Você podia falar um breve resumo sobre cada banda que você atuou como Pathé Sophismático, Blueseeds, Sexta 13, Nytro Inc., Los Ayalas, Triple Trouble, Raíssa Machado e banda, Speed Racer, Renato Graccia e Project Dragons, se eu esqueci alguma pode acrescentar, por favor.
Graccia – O Pathé era um grupo de amigos que tocavam muito bem e que tinha músicas próprias bem legais, mas éramos ainda bem amadores. Mas foi demais! Tenho muita amizade com eles até hoje.
O Blueseeds, banda em que atuo até hoje, é, também, uma banda de amigos que tocam por puro prazer. Nunca nos preocupamos com nada além de fazer boa música e se divertir. O Denner ( voz e guitarra ), tem mais de 140 músicas próprias… Se fossemos gravar tudo, dava uns 20 ou 30 álbuns! Rsrsr
Os demais foram projetos pontuais, alguns bem legais, outros, mais pela grana…. Enfim, nada muito sério.
Fernando – Quanto ao musical “Rock Show”, do Hudson Glauber, com supervisão artística do Wolf Maya, você continua participando? Como é essa experiência um pouco diferente de tudo que você já fez, afinal é muita gente, atores, sapateado, dança, aéreos, etc…?
Graccia – Cara, esse musical foi demais! Uma das melhores experiências que tive no mundo da música. Tudo muito estudado, sincronizado…. Nada podia dar errado… Mas, graças a equipe, aos músicos e aos atores, foi tudo bem legal! Hoje não atuo com eles pois o musical saiu de cartaz. Mas acho provável que haja algo novo sobre isso no futuro.
Fernando – Pretende ir a algum show do Viper, nessa turnê de comemoração de 25 anos?
Graccia – Infelizmente, não consegui ir a nenhum…
Fernando – Para finalizar, alguma lembrança dos shows que fizeram em Porto Alegre na década de 90? alguma cena, lembrança do público ou até mesmo roubada que pudesse contar?
Graccia – Putz, tem tanta coisa legal a respeito de POA… As pessoas daí são super legais e animadas. Só tenho boas lembranças! E, como o meu pai é gaúcho, estou super acostumado com chimarrão e curto pacas! Ou seja, os shows em POA ainda tinham esse “extra”! rsrsrs Sul é show!
Fernando – É isso Renato, lhe agradeço imensamente pela atenção. Obrigado mesmo e desejo toda a sorte do mundo para você. Nós, fãs, estaremos torcendo para que vocês conquistem todos os seus objetivos dentro e fora da música.
Graccia – Muito obrigado Fernando! Agradeço a você e a todos os fãs que acompanham a banda e os integrantes em outros projetos! Um super abraço! Valeu!!
Texto de Fernando Cunha ©
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